segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

conto de Natal

E já é Natal novamente. Setembro, outubro e novembro juntaram-se num só, e o outono, mal se deu por ele. O tempo, o cronológico, apressa o passo, zangado com a indiferença.
E um gajo pá, seja lá por que razão for, poderia fazer melhor, mas não faz.

domingo, 21 de agosto de 2016

Post de verão 2016

Tem sido costume fazer um post de verão, e para não variar, pego aqui no meu equipamento e começo a escrever, vou tentar escrever qualquer coisa que faça algum sentido, mas não sei sobre o que há-de ser.
Sobre as minhas férias, que estão a acabar, foram muito boas. 
3 semanas que passaram num misto de lebre e tartaruga, em que nas duas primeiras reguei a relva todos os dias, e ficava a vê-la suportar um sol abrasador, verde, fresca, certamente feliz tal como eu.
No final da 2ª semana fui festejar o verão com amigos, numa noitada que começou com um vinho branco fresco, e acabou comigo a acordar sozinho na minha cama, já altas horas do dia seguinte. Até aqui tudo normal, o que se tinha passado entretanto foi estranho e mais do mesmo, esqueci-me de novo que álcool e canabis em grandes doses, são uma mistura turbulenta, esgotante, e com propriedades amnésicas.
Vai daí, na 3ª semana fui-me lembrando que quando caio na asneira de me "perder", ando deprimido durante uns dias, sem razão aparente, a não ser a sensação de que o meu estômago é uma espécie de base área de borboletas, como se os meus braços e pernas fossem corredores percorridos em misteriosas missões de combate. Ainda não percebi se estão a atacar-me com raios de ansiedade, ou se me estão a proteger de uma ansiedade vinda não sei de onde, essas borboletas que nunca vi.
Ao, para aí, 7º dia, voltei a sentir a ausência das borboletas, sem saudades.
Agora vou voltar ao trabalho, e vou dizer o quê quando outros contarem como estava irrespirável nas Caraíbas, ou sobre a desinteria que apanharam no norte de África, ou sobre as enormes filas para visitarem o Louvre, ou sobre como o Algarve estava apinhado, e sobre como fizeram férias baratíssimas ou caríssimas, dependendo não do preço das mesmas, mas do tipo de gabarolice do narrador. Conto o quê?

terça-feira, 26 de abril de 2016

E assim correm os dias

Naquela linda manhã, brincava eu no jardim, contava as ervas daninhas que não tivessem flor e ia fazendo um registo, por cada 5 fazia um risco, e ao fim de 5 riscos fazia um traço oblíquo sobre os 5 riscos, tinha adquirido uma sebenta sem linhas para o efeito, mas já estava arrependido, devia ter optado pela sebenta com linhas. Estive com uma na mão já na fila para pagar mas decidi voltar atrás e trocar, já nem me lembro porquê, perdi 6 lugares com a manobra, uns 15 minutos, mas que dei por bem empregues de tão satisfeito fiquei com o meu novo lugar e a sua vista privilegiada sobre o pescoço da senhora à minha frente, que estive a milímetros de me decidir beijar e arcar com as consequências, afinal que mal me poderia acontecer perante o bem que dali me advinha, não o pequeno momento de sublime prazer, mas o saber que o tinha feito tornando-se isso parte de mim. Paguei com o cartão multibanco e agora tenho mais um movimento para seguir, já fui verificar 9 vezes e o registo mantém-se inalterado, fiz o respectivo registo na sebenta onde faço o registo dos movimentos bancários, e guardei o talaozinho do multibanco na gaveta dos talões de multibanco de consulta de movimentos, só é pena que ao fim de algum tempo o banco retira os movimentos do histórico, e deixo de poder controlar. Já fui falar ao balcão mas não me adiantou de nada e ainda me quiseram impingir um serviço em que me facultariam toda a informação relativa a todos os meus movimentos, mas que este serviço teria um custo. Puta que os pariu. Não estou para isso, afinal de contas, rei morto, rei posto, quando desaparece um velho movimento da lista eu faço mais um pagamento com o cartão multibanco e posso continuar a fazer o registo, e mais, transfiro o processo do movimento que foi excluído para a sala dos excluídos e faço o controlo entre o registo que fiz na sebenta e os talões de multibanco arquivados. Julgavam os gajos do banco que me iam tramar, mas quem os lixou bem fui eu. 

segunda-feira, 4 de abril de 2016

A montanha que vai parir um rato

Bíliões de dólares, milhões de documentos comprometedores, centenas de individualidades internacionais de 1ª linha, dezenas de países, uma companhia de advogados do Panamá.
Diz o meu senso comum, a minha experiência de vida, que depois desta contagem decrescente não sobra espaço para condenados que se vejam, talvez o Indalécio sirva de bode expiatório.