quarta-feira, 18 de maio de 2011

Mais um conto de amor

Até uma Barata se pode apaixonar, não parava de pensar o Grilo convencido da sua superioridade sobre espécie cujo nome é sinónimo de inferior qualidade, enquanto o seu próprio nome lhe soava como a música com que enchia as noites de luar.

E o mundo é cheio de espécies diferentes, tão diferentes como duas gotas de água e tão iguais como todos nós.

O Grilo apaixonava-se perdidamente por tudo, e porque se apaixonava por tudo, nada procurava, vivia apaixonado pelo que tinha, e o mundo era assim mesmo, como parecia, perfeito.

Mas nada dura para sempre, nada a não ser o presente que se perpetua sobre si mesmo, como o vento que se empurra e se suga a cada sopro.

E como nada dura para sempre, o grilo também começou a pensar diferente, a satisfação cedeu o seu lugar  e nele se sentou a ambição, e o saber que a beleza existia deixou de ser suficiente, queria além de sabê-la, tê-la.

A bela Hortulana, de uma beleza tão singular, era tudo o que ele queria para si. 
Para quê contentar-se com pouco, se o tudo existe, e a bela Hortulana era tudo o que ele queria, mas já não somente a sua voz, já não somente a memória de a escutar ao entardecer, ele queria tê-la, não interessando as impossibilidades, porque quando se deseja tanto algo, as impossibilidades não interessam, só interessa o querer.

Chegou a sonhar que poderiam ter um pequeno Hortilo ou até com sorte uma linda Grilana, mas como os sonhos têm asas, a bela Hortulana abriu as suas e voou para longe, voltando a deixar-se ouvir por vezes ao entardecer,  longe.

O Grilo, contudo, ainda pensa em como seria bom pôr as mãos na Hortulana, depenava-a pena a pena, e depois com ela ensaiava novos trinados.

9 comentários:

  1. Lá está há grilos com sorte.

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  2. Ó Laura, mas sorte onde?

    Foda-se, não me digas que não lês-te a porcaria do conto até ao fim.

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  3. Ao menos o grilo sentiu na pele a paixão, e bem visto, as hortulanas não comem grilos?

    Eu cá sou adepta antes sentir e sofrer, do que nunca ter sentido. Entendes?

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  4. As Hortulana comem Grilos ?

    Não digas isso ao Grilo do conto, vais dar-lhe falsas esperanças.

    Eu cá sou adepto do sentir com prazer, e ando em forte campanha de divulgação.

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  5. Forte campanha de divulgação? Ainda assusta mas é a hortulana...

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  6. Olha lá ó Laura, lá estás tu a personificar as coisas novamente, ainda vais dizer que o Grilo sou eu e o Henry e a Hortulana a June e a Maria, no entanto não me chamo António, por isso lá se vai a tua teoria por terra.
    Desta vez estás enganada, este é um conto destinado a ser produzido pelo canal erótico da Disney, daqui a muitos muitos anos, e algumas revisões do texto.

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  7. Eu não digo nada, escrevo.

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  8. O que importa, meus amigos, é sentir e DAR.

    E por "dar", entenda-se o sentimento, que qualquer outra conotação implicita na palavra, é pura coincidência.

    Mas mais importante que isso, e agora leiam bem que vós sois novitos e eu já não, maneiras que não hei-de andar por aqui muito mais tempo a dizer coisas importantes sim? tão, acima de tudo, tende mui cuidadito com vossos delicados coraçõezinhos e não se ponham prái a dá-lo assim ao desbarato, que é como quem diz, atentem se a quem dão, merece o que recebe. Mesmo que não tenha nada pra dar em troca (acontece) tem sempre que ser grande o suficiente pra reconhecer a dádiva.

    Tá bem?

    Não se magoem.


    Tá bonito o conto, Junkie. Tá sim senhores.

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  9. Minha cara Isabel, és uma querida sensata.

    Comigo não te preocupes que o meu coraçãozito sobrevive a qualquer coisa, já congelou e já ardeu, ou vice versa.

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