terça-feira, 24 de maio de 2011

Os momentos também se comem

Ah que maravilha, os momentos deliciosos, aqueles em que cada pulsação é uma dádiva, cada respirar uma lufada de esperança, e o sorriso se escancara no olhar que absorve como se respirasse, o que se lhe depara, mesmo sendo nada.

A relação espaço/tempo causa-me um fascinio inexplicavel, é algo de tão sólido, mas que tem de certeza brechas. É como se sentisse que elas existem, apesar de não as ver. Nunca ninguém tentou explicar a fé com fórmulas matématicas, ou teorias lógicas, portanto não posso dizer que seja uma questão de fé. Nem sequer é aquele sentir como sobre as bruxas, que nunca ninguém as viu, mas que as há, há.
Eu próprio estou entranhado nesta coisa de espaço/tempo, mas não os domino, percorro-os com a certeza de que há melhores e piores caminhos, ou até atalhos.

Ainda alguém, algum dia, há-de inventar um engenho que permita reviver cada momento da sua vida à escolha, como se fossem umas férias pelo passado, que ocorreriam como se de 1ª vez se tratasse, excepto algumas sensações de déjà vu que aconteceriam por vias de mau funcionamento do tal equipamento.

E se tal engenho já tivesse sido inventado ? Quem mais senão Deus para ter inventado tal coisa?

O engenho seria a morte, que se perpetuaria em recordações da vida, e aí entravam os conceitos de céu e inferno. Estaria no céu se tivesse tido uma vida feliz, e no inferno se tivesse tido uma vida de merda. 

Já a vida tinha sido um céu, ah que maravilha os momentos deliciosos.

6 comentários:

  1. Hoje vinha a pensar numa coisa parecida, enquanto conduzia o meu veloz automóvel, de regresso a casa. Todos tivemos momentos bons e maus na puta da vida, certo? e mais as suas variantes. Porque cargas d'água não se consegue reviver o excelente como se consegue o péssimo? porquê que se recordo um momento em que disse aos deuses: podem levar-me agora que asseguro que vou feliz, não consigo sentir, como sinto quando lhes digo acabem com esta merda que já não aguento mais??

    Fazem-me cá uma confusão estas coisas.

    E comem-se sim, e têm sabores e têm cores. Têm, que eu já provei e vi.

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  2. Isabel, minha querida, tenho más noticias para ti!

    Segundo a teoria de que Deus teria inventado a máquina de viajar no tempo, "A morte", e o inferno ou o céu não passariam de recordações da vida, minha querida Isabel, se ainda estiveres a conseguir seguir o raciocinio, quer dizer que se só te lembras do péssimo, ninha querida, morreste e foste para o inferno.

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  3. Qué aquilo do ninha querida pá? se me queres mimar, vê lá se o fazes como deve ser caray, cá agora a economizar letras comigo ...
    Gajo,não se trata de me lembrar, que isso eu consigo. Mas recordo momentos em que fui ao céu e andei por lá uma beca e não consigo sentir o que senti na altura e já se a recordação é infernal, eu sinto tudo de novo. Percebes?


    tou no inferno é? olha que merda. Então e avisarem-me, não?

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  4. Eu percebi-te pá, só estava a ver a coisa de outro ângulo, experimentar posições, tás a ver ?

    Mas eu entendi o que disseste, tens uma propenção para valorizar o péssimo, aquela coisa estranha de saber bem ouvir musicas tristes nos momentos de tristeza, eu percebi.

    Isso não será uma espécie de mau funcionamento do sistema nervoso, ou uma merda assim do género?

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  5. Parece-te sintomático de alguma patologia, uma pessoa estando triste ouvir musicas a condizer e quando alegre fazer o respectivo pendant ...?

    TU TÁS PARVO JUNKIE JONES?

    uma espécie de mau funcionamento no sistema nervoso, é o que tu me dás às vezes.

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  6. Não julgues que é fácil manter este perfil de parvo sempre ao mais alto nível.

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