sexta-feira, 12 de agosto de 2011

O balanço

Pareceu-me que acabei de ouvir o som da maquina registadora da vida, como se a minha tivesse decidido agora registar mais um dia, passou-me o momento pela frente dos olhos, e lá vai ele, sem olhar para trás ciente do dever cumprido, mais um dia, e agora que falei nisso ocorreu-me que ao dizer o que disse, é normal que faça um balanço. 
Fazer o balanço é um dos actos mais básicos de qualquer empreendimento que se queira levar em frente, e reconheço que não tenho nada para colocar nas balanças, nem qualquer empreendimento.
E fico na duvida de se devo regozijar-me porque afinal estou de férias, ou se devo aproveitar as férias para pensar nisso.
É bom estar de férias, sem nenhuma preocupação a não ser ver o tempo passar, fora do cardume, mas não sei se síndrome de abstinência, ou o que seja, faz-me sentir falta de rotinas.
Se pudesse fazer férias por um ano, era o que fazia neste momento.

35 comentários:

  1. Era para perceber?

    Olha quando era pequena tinha para aí uns dez a vinte peixes de agua quente num aquário no meu quarto, tadinhos tinham sempre fome, eu? Pá dava-lhes comida a potes, o final da história? Curto, muito curto.

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  2. Claro que era para perceber, e tu não finjas que não percebeste.

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  3. Sempre que faço balanços verifico que o meu empreendimento cada vez tem menos viabilidade, cada vez enfrenta mais e cada vez mais difíceis obstáculos.
    Na verdade o meu único empreendimento é a vida e eu só sou sócia minoritária. A golden share não me pertence.

    E vão duas Laura.
    Já deixei de ter peixes, tinha pouca sorte com eles. A minha mãe tem outra versão, a de que eles tinham pouca sorte comigo.
    Muita comida, pouca vida. Pobres.
    Too much love will kill you.

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  4. Pois é isso mesmo Maggie, deviamos ter todos a oportunidade de usar a golden share da vida, quer dizer, todos temos essa oportunidade, não é? Mas nem todos temos a clarividência ou a coragem para isso.

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  5. Percebi tão bem que acho os balanços uma bela merda. Dão cabo da minha paciência, coisa que já pouco me resta.

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  6. Das duas, três: ou não fazes balanços ou crias rotinas para as férias. As minhas ideias são tão brilhantes que fico ofuscada :)

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  7. Talvez só me reste mesmo acabar com isto, só me falta decidir se merece o trabalho da eliminação, ou se o abandono será suficiente.

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  8. O mais difícil é tirarmos férias de nós próprios.
    Ando a tentar isso há já algum tempo mas passo sempre ao lado.

    É uma porra, nós somos sempre nós e a nossa circunstância!

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  9. Maggie, agora disseste das coisas mais acertadas que já vi escritas aqui neste sitio.
    "Nós, sempre nós e a nossa circunstância"

    Talvez por esta frase não apague esta coisa toda.

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  10. O espanhol sabia muito bem que o que fazemos e não fazemos não depende apenas de "nós".

    Tudo o que nos rodeia condiciona-nos e desafia-nos.

    Como fugimos de nós?

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  11. Isto é só febre.
    Nada que um benuron não resolva.

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  12. Maggie, qual espanhol? Tu às vezes és assim um bocado muito à frente.

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  13. Até acho que qualquer coisa que aqui escreva, até sem sentido, ganha logo sentido e profundidade aos teus olhos e nas tuas palavras.

    Tu amas-me?

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  14. O espanhol é o Ortega et Gasset.

    Eu amo quase toda a gente.
    A minha capacidade de amar é inversamente proporcional, por exemplo, à minha conta bancária.

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  15. Se a novela tivesse continuado ia haver um episódio intitulado "Tega, o meu nome é Ortega",

    Eu não tenho a certeza de ser muito de amar, tal como a minha conta bancária que deve ter duvidas existenciais.

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  16. Amar no sentido de encontrar sempre algo de bom nos outros.

    A outra forma de amar,eu sei lá!

    Há outra forma de amar sim, o amor incondicional que os pais têm pelos filhos.

    O resto são situações temporárias de deslumbramento que se vão desfazendo numa rotina mais ou menos suportável, de acordo com a qualidade da vida sexual e com a capacidade de resiliência dos indígenas.
    Acho que para além disto não há mais nada.

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  17. Mas como te enganas Maggie, também há o amar paranóico, ou doentio se preferires.

    Esta coisa é dos livros pá, está lá escrito desde sempre, desde que há historias relatadas, lá estão eles, os grandes e eternos amores.

    Achas então tu que é só ficção?

    É que se tais amores forem um mito, atira com os sente para o lado dos paranoicos, dos doentes mentais, daqueles que não têm a sensatez de perceber que tal coisa não existe, e que por isso não adianta insistirem.

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  18. Há amores paranóicos, mas o nome diz tudo. Também há outras paranóias!

    Não acredito em grandes e eternos amores. Só existem mesmo na ficção.
    Podem ser grandes no início, depois esmorecem porque as pessoas começam a ser previsíveis, a felicidade constante, as butterflies in the stomach desaparecem e lá se vai o encanto.

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  19. Mas os gajos da sicn andam a copiar-te os temas?

    E a desmontar as minhas teses!

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  20. Margarida, não sei se estás a ver, talvez não estejas, mas acho que sim, tu vês estas coisas.

    Na vida de cada um de nós, mesmo o mais solitário, há pessoas especiais, os filhos, os pais, os amigos que de longa data ficaram, e pessoas que conhecemos e se gravam em nós indelevelmente.

    Esses são os amores, mas se preferires restringir os amores às pesoas com quem, de entre essas, fariamos sexo, pronto, estamos entendidos, e posso dizer-te que há quem seja meu amor, e a quem eu fodia com um sorriso de orelha a orelha, portanto há sim, os amores grandes e eternos.

    Não se trata de um mito, eles há-os!

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  21. Sobre o amor dos pais pelos filhos, já tinha dito ali em cima o que penso.

    Depois, é evidente que me referia ao amor entre um homem e uma mulher.

    Se argumentas com a tua experiência pessoal que mais posso eu adiantar.

    Espero um dia ter a mesma sorte que tu e poder dizer que tenho um amor para a eternidade e que nasce em mim um sorriso enorme desses.

    Agora vou tomar o antibiótico para aumentar mais as minhas hipóteses.

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  22. Para além de que verifico, com certa apreensão, que a minha clarividência anda pelas ruas da amargura.

    O óbvio passeia-se à frente dos meus olhos, toda a gente se apercebe menos eu.
    Ponho-me a esgrimir razões quando devia era estar sossegada e deixar-me de quixotisses.

    Sou uma grunha. Poor me!

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  23. Maggie, quer dizer, pelos vistos já só tu e eu vimos aqui comentar, e agora o assunto virou para as definições de amor.
    Este tema é recorrente por essa blogosfera fora, com textos mais ou menos sonhadores, arrebatadores ou sofredores, mas na verdade, e isto é o que acho, o amor tem tantas definições, que seria como contar os grãos de areia numa praia.
    Deve ter tantas definições, quantas a vezes que foi sentido.

    Que se lixe o amor pá, e viva o bem estar.

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  24. Bem vistas as coisas, devia ter escrito *quixotices.

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  25. Foi daqui que pediram um Porto Rafeiro, perdão, Ferreira?

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  26. Junkie, tu não te ponhas a fazer barulho depois das dez da noite,pá! Olha os vizinhos!


    Por acaso não tem ferrero rocher, não?

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  27. A mim apetece-me tirar uma licença sabática, ou com outro nome estranho, mas não para pensar na vida, era mesmo para viver. O pior é que o meu empregador diz que nesses casos não tem de me pagar...

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  28. porque me ignoras, hum?ando tao aborrecida sem ti

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  29. *cof,cof

    Há por aqui um pouquinho de pó, não há?
    E não estou a falar do branco!

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  30. Amor é a nossa felicidade depender da felicidade/alegria/bem-estar/... do outro que se ama. Esta ideia está bem explicada numa crónica do MEC dos tempos do "Independente" que li quando ainda era uma miúda e aparentava entender coisas que hoje não entendo. É válida até para egocêntricos e apesar de nunca me ter facilitado a vida continuo a utilizá-la para "medir" estas coisas.

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  31. Concluindo, era bom saber que mais alguém está triste hoje.

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  32. Cara anónima, quanto a isso podes estar à vontade, que há sempre gente imensamente triste, alguns até sem motivo.

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