domingo, 4 de setembro de 2011

O equilibrista parte I

Pela noite dentro, deixando para trás os últimos vestigios do entardecer, se olhasse por cima do ombro ainda veria o crepusculo, sabia-o e por isso não olharia para trás, mais à frente encontraria o alvorecer, e esse conseguia antevê-lo, sentir-lhe o cheiro de dia novo, podia desde já antever o dia de amanhã, perspectivar o futuro, porque o pensamento movimenta-se numa dimensão diferente, e percorre o tempo com a mesma facilidade com que percorre distâncias, com ele posso sonhar sempre que quero, e mesmo quando não quero, porque a consciência, essa entidade com um relacionamento tão chegado ao pensamento, é acima de tudo superior a essas coisas mundanas como o é o ciume, deixando o pensamento livre para as aventuras a que a sua natureza de entidade livre tão bem se adapta. 

É um relacionamento feliz o destes dois, consciência e pensamento, quando se conseguem manter em equilibrio, quando o pensamento tem o seu espaço próprio para além do partilhado com a consciência, mas não se esquece que a consciência é o verdadeiro ponto de referência.

Que não se tirem daqui mais elações acerca dos relacionamentos humanos, para além de que o equilibrio é essencial para relacionamentos saudáveis.

E era nesse jogo que o equilibrista apostava tudo, orgulhava-se das suas aptidões, levava o jogo ao extremo, estava na sua natureza caminhar sobre o arame, correr riscos para provar algo, que pode muito bem ser nada, a si mesmo.


2 comentários:

  1. ERRATA:

    Segundo alguém, e com toda a propriedade, onde se lê elação, dever-se-ia ler ilação.
    Pelo erro, e pelas interpretações erradas que daí advieram, apresento as minhas mais displiscentes desculpas.

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  2. Ali em baixo espirro, aqui vejo-me aflita para conseguir equilíbrio no arame.
    Francamente, Jones, queres exterminar o teu plantel de comentadoras?

    Digo-te mais, a minha consciência é uma matrona, autoritária, com a mania que é sabichona, sempre a dar raspanetes ao pensamento.
    O pobre anda sempre num virote para conseguir ser bem comportado, correcto.
    Às vezes é matreiro e corta-lhe as voltas.

    Eu, que não gosto de confusões, fico bem caladinha e deixo andar.Problema deles!

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