terça-feira, 6 de setembro de 2011

o equilibrista, parte II

O Ernesto era assim mesmo, um artista do engate, marcava presença nos funerais à espreita de viuvas a precisarem de um ombro solidário, não perdia uma partida de um pesqueiro para as longas jornadas da pesca no mar do norte, sempre pronto a consolar as tristes mulheres que viam seus maridos partir para um destino incerto, e era assim o Ernesto, uma espécie de ave de rapina quando voava, mas quando voltava ao ninho, era ele, sempre ele, o alegre Ernesto.

A Sofia era um encanto de pessoa, uma espécie de matriarca do bairro, punha as cartas, mas só em casos muito especiais o fazia, porque segundo dizia, aquele era um dom que se gastava, e por isso não devia ser desperdiçado. A verdade é que ninguém se recordava de que alguma adivinhação tivesse resultado no que quer que fosse, o que não impedia que a dona Sofia fosse constantemente incomodada com o pedido de que pusesse as cartas.

Ora, era do conhecimento de todos que o Ernesto era o Ernesto, e sendo ele o marido da dona Sofia, era com alguma estranheza que qualquer estranho olharia o cenário, então o marido da adivinha era-lhe infiel a olhos vistos, e eram eles o casal mais feliz do bairro, como se explicaria então o crédito da Dona Sofia na arte da adivinhação?

Essa explicação só a poderia dar algum dos muitos vizinhos que a ela recorriam, e que mesmo muitas vezes com a recusa do pedido, nunca saíam de sua casa com o coração vazio, no entanto não é a explicação o mais fascinante nisto tudo, o que é verdadeiramente fascinante é que viveram felizes para sempre, a Sofia e o Ernesto, sendo que ficamos sem saber qual dos dois era o equilibrista.

31 comentários:

  1. Trapezistas. E treinavam muito pra não s'aleijarem numa queda ou assim.

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  2. Eles eram o amor, um do outro e dos outros.Tarefa difícil mas não impossível.Apenas ao alcance de exímios equilibristas.

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  3. Eu explico!

    É tudo uma questão de perspectiva e de atribuir prioridades.

    Como é do conhecimento geral, nós as pessoas ditas normais temos uma habilidade que deveria ser incomum, no entanto nada é mais comum que isto, martirizarmo-nos com coisas a que atribuimos uma importância que não têm, e castrar-mos a felicidade em nome das regras.

    Eu próprio muito tenho disparado contra os meus proprios pés, apesar de saber onde está o alvo.

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  4. Percebi o post mas não percebi a explicação.

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  5. Maggie, no problema, eu explicar outra vez.

    É tudo uma questão de perspectiva e de atribuir prioridades.

    Como é do conhecimento geral, nós as pessoas ditas normais temos uma habilidade que deveria ser incomum, no entanto nada é mais comum que isto, martirizarmo-nos com coisas a que atribuimos uma importância que não têm, e castrar-mos a felicidade em nome das regras.

    Eu próprio muito tenho disparado contra os meus proprios pés, apesar de saber onde está o alvo.

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  6. Ó pá, já podias ter explicado assim! Agora entendi tudo.

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  7. Tens a certeza que não queres que explique de novo?

    Tu vê lá, que eu explico as vezes que forem necessárias, aliás estou com saudades do meu post que teve mais de 200 comentários.
    Raramente se vê uma tão grande colecção de nada.

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  8. O que é importante é que vesti o meu vestidinho azul para o comentário das 20.17 e tu nem notaste nada!

    Agora é toilete obrigatória. Não vai muito bem com o meu coração,que é vermelho, mas pronto.

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  9. Vestidinho azul?

    Eu cá apostava mais no teu despidinho cor de pele, mas prontos, se fazes questão de te vestires a preceito para cá vir, só me honras.

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  10. "nós as pessoas ditas normais"

    Pás, quando uma gaja pensa que já leu de tudo, há sempre um índio a surpreende-la com mais qualquer coisita, benzam-no todos os deuses.

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  11. "vestidinho azul?" pergunta ele ... isté quase como uma pessoa mudar a côr do cabelo, chegar a casa e perguntar ao mastronço se nota alguma coisa de diferente e ele responder ( caquele ar d'aliens que fazem nestas alturas) hã ...? haumm ... diferente? ... tás ... foste ... eurh .. na..um ... é o quêêê ..?

    A MARGARIDA TÁ DE NICK, CARAÇAS!

    dasse!

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  12. Ó Isa, ainda bem que deus te colocou no meu caminho para seres os meus olhos, a minha inteligência, e sei lá que mais.

    Ó pá, à tua beira sinto-me burro, és sempre tão sagaz, foda-se, caralho pá, porque é que nunca reparo no óbvio?

    Isa, se nós ainda formos um dia a um baile de máscaras, eu vou de cego e tu de bengala, e se mais tarde a coisa se proporcionar, invertemos os papeis.
    Tá combinado?

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  13. então, mas se te sentes burro, podes ir assim de como te sentes e eu vou .. sei lá ... de cenoura?



    parvo.

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  14. Olha " uma música nova di Alexandre Pires". É pa ti. Com amor. De mim.

    http://www.youtube.com/watch?v=OnVG5P8hW28&feature=fvwrel

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  15. Que linda musica Isa, plena de musicalidade, gostei muito dos 2 segundos que ouvi.

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  16. "Musicalidade" é a minha cena gajo. Até podes fazer de mim a tua musa nesse sentido. Qu'eu deixo.

    Faço-te até um desconto e tudo.


    (Caralho que tenho que parar de dar assim cabo do negócio!)

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  17. Mas eu lá quero descontos Maria Isa?

    Eu gosto de ti é dada, oferecida, de borla.

    Não me queres ministrar um curso de dança por correspondência?
    Era forma de dares asas a toda essa musicalidade, então pois não era?
    Que se lixe o negócio pá, temos que um destes dias organizar uma caçada aos gambuzinos, só pelo gozo.

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  18. "Dada, oferecida, de borla" ... só pra quem eu escolho, piolhinho.

    Prerrogativa de quem pode, que queres, não sou dona do meu coração, este rebelde.
    Já na coisa dos gambuzinos, alinho. Tu fazes d'eles e eu caço.

    (não vás ca mochila muito carregada, caquilo vai ser coisa rápida).

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  19. Bem a Isa já te explicou tudo.

    Essa do despidinho cor de pele é too much, jovem Jones. Não me digas que querias que eu aparecesse aqui com a barriguita de fora a ver-se o bigo.

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  20. E quem diz bigo, diz outra coisa qualquer. Não queria ele outra coisa, minha linda.:)

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  21. Ora e o teu biguito não é giro de se ver Maggie?
    Aposto que sim, mas o que eu queria mesmo era uma loura fresquinha.

    Isa Maria, então tu andas para aí de blog em blog a cantar, mulher, mas tu tás c'os copos ou maraste de vez?

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  22. Queres uma bejeca? Tás contentinho com o benfas!

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  23. Só há sangria e vodka caramelo. Caramelo é mesmo o vodka, não és tu.

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  24. Junkie, oh, olha o meu bigo! --------> º

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  25. Regressei lentamente para não provocar estragos e amanhã vou nadar! :) Espero que isto signifique que em breve irei recuperar o meu desequilíbrio natural.
    É o que tenho a dizer sobre equilíbrio. Não gostei do que disseste.
    beijo molhado com sabor a cloro (vais ter de encher a imaginação porque eu ainda não pus o pé dentro da piscina)

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  26. Oh Junkie, não sou nada. It's an injustice, it is!

    (lembras-te disto?)

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  27. Claro que sim, e até diria que quase todos temos alguma tendência para de vez em quando exibirmos o nosso lado calimero.

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  28. Eu chorava por causa desse pintainho. Tinha muita pena dele.

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