quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Ou talvez esteja estatelado no sofá a ver programas atrás de programas

A água corre cristalina, chove mas já me acostumei à chuva, chove quase todos os dias nesta época do ano, e um gajo habitua-se, não sei se lhe chame capacidade de adaptação ou acomodação. 
Foi por me fazer esta mesma pergunta que estou aqui agora neste fim do mundo. Comecei a achar que me estava a acomodar ao trabalho de administrativo numa grande serração e decidi dar uma grande guinada na minha vida, já lá trabalhava havia uns anos, e podia dizer-se que conhecia bem o negócio, sabia o que poderiam valer determinadas espécies de árvores, e conhecia os meandros do negócio.
O plano era genialmente simples, e estava alicerçado na convicção de que tinha a oportunidade de mudar radicalmente de modo de vida, e a escolha, era uma vida em comunhão com a natureza.
Seria lenhador! 
O machado está agora pendurado por cima da lareira, faíscante, novo, nunca tive coragem de dar uma única machadada, quanto mais valiosa era a árvore, mais extraordinária me parecia.

Adoro estes dias de chuva, já fiz uma boa pescaria, talvez tenha apanhado uma lebre na armadilha, seja como for o jantar está assegurado, e será apreciado frente a uma lareira crepitante, e talvez me perca novamente nas lembranças de quando adorava passar os dias na praia sem fazer nada, enquanto me faz companhia a penumbra do meu reflexo na lâmina de aço do machado, nunca mais me senti sózinho ao contrário de quando vivia cercado de gente.

7 comentários:

  1. Os planos nunca passarão de planos se não for dada a machadada. O problema deste aspirante a lenhador foi nunca ter dado uma bela machadada (não se atrevam a distorcer o que eu disse).

    Ele escolheu o comodismo e o contentamento dos sonhos. Deixem-no estar a olhar para a lâmina em paz.

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  2. O Deus dos blogues ouviu-me e enviou uma nova comentadora.

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  3. "I went to the woods because I wished to live deliberately, to front only the essential facts of life, and see if I could not learn what it had to teach, and not, when I came to die, discover that I had not lived." H.D. Thoreau

    Se ainda não leste o "Walden", tens de o fazer porque vais gostar.

    Eu só conheço alguns excertos, mas é muito interessante a forma como o Thoreau encara a relação do homem com a natureza.

    O teu post é, de algum modo, premonitório em relação ao destino do país.

    Teremos de regressar a um estilo de vida mais simples ou estamos a ser empurrados para uma vida de miséria?

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  4. Hei-de ler então, também gostei da metamorfose.

    Mas qual premonitório em relação ao destino do País pá? Mas alguém sabe lá o que vai acontecer? O que não faltam por aí são videntes com certezas sobre o futuro, e daqueles que por acaso acertarem se falará, e das teorias que passem ao lado, ninguém reclamará direitos.

    Ao menos uma ideia parece começar a vingar na consciência pública, a ideia de que gastar mais do que se ganha é insustentável, e só falta agora vingar a ideia de que quem faz cócó, tem que o limpar, ou comer.

    Por onde anda a responsabilização dos politicos?
    Então, e isto só a titulo de exemplo, se um médico fizer borrada, mesmo que estivesse convencido que estava a fazer bem, não está fodido?
    Está pois!
    Então porque raio podem os politicos andar a foder-nos a todos, de uma forma agora obvia para todos, e continuarem impunes a usufruirem da merda que fizeram?

    Greves não alinho, mas se decidirem fazer uma caça aos cabrôes que nos enterraram, assim à imagem de uma caça às bruxas, eu levo os fósforos.

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  5. Concordo contigo em relação aos políticos. Têm de ser responsabilizados, assim como todas as entidades que gerem o dinheiro que nos é sacado nos impostos.

    Mas diz -me lá a mim, que não entendo uma merda de economia ou finanças, como é que esta cagadinha de país se vai aguentar? Não temos recursos naturais dignos desse nome, cortam-nos os vencimentos, retiram-nos o poder de compra. Sem poder de compra, não há consumo, sem consumo as empresas são forçadas a baixar a produção,ou até a fechar, atirando muitos trabalhadores para o desemprego.E depois? Depois vamos, já estamos a ir, para o fundo com uma pinta do caraças!

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  6. Isto é assim, do meu ponto de vista :

    ou isto se arranja uma união europeia em que os ricos ajudam os pobres, tal como o estado atribui os rendimentos minimos, ajudam-nos a pagar a divida, a coisa endireita, lá vamos andando, e até pode ser que algum dia consigamos até vir a ser um país que consiga produzir mais riqueza do que consome, duvido, mas....

    ou então xau euro, xau união europeia, fabricamos a nossa própria moeda, as dividas ao estrangeiro, temos pena mas não podemos pagar, o estado aplica taxas à importação, proteccionistas do nosso tecido empresarial, da nossa agricultura, das nossas pescas, passamos a consumir essencialmente o que produzimos, e até pode ser que algum dia a coisa endireite, sei lá, mas duvido...

    Tamos fodidos pá, ainda vamos voltar à agricultura de subsistência.

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  7. Ó Junkie, tens toda a razão. Que país este, nas mãos de governantes tão incompetentes!

    Dá vontade de zarpar daqui. Hoje é só o que me apetece.

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