terça-feira, 29 de novembro de 2011

um pouco do meu umbigo

Qual será o futuro da nossa espécie, voltaremos a regredir, vamos extinguir-nos nas próximas décadas, ou evoluiremos ainda durante centenas ou até milhares de anos?
Esta é a principal questão que me faço, muito mais do que questões sobre o meu futuro que há muito deixou de me interessar. De facto, e por estranho que pareça, se eu fizer um exercicio mental honesto de compilação das coisas em que projecto expectativas no futuro, não me descortino por lá, vejo familiares próximos e amigos, mas eu não consto da lista. Eu não fui sempre assim, já tive sonhos e projectos para mim próprio, mas confesso que não os vejo em lado nenhum. Não me estou a queixar, e até é um alivio esta constatação, é sinal que não ando a sentir falta deles, e certamente não precisamos daquilo de que não sentimos falta.

domingo, 27 de novembro de 2011

My name is Pot, JackPot ou talvez não

Sinto-me a transbordar de sentimentos, mas não os exprimo, por inépcia social ou por timidez, não sei, vivo com eles, entre eles, e quem diria?
Não adivinhará certamente tal coisa quem para mim olhe, apesar de eles existirem em cada pixel do meu ser.
Sinto-me, nesse aspecto, como o azeite e a água, uma fina camada superficial não se mistura com o que encobre, não importa a profundidade que possa existir, só se vê a camada superficial, fina, hermética e moldavel.

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

A Estrela ausente

Este é o octagésimo post deste blogue, e como não me apetece inventar vou antes constatar.

É só mais um balanço, coisa que fazemos a todo o momento, passamos a vida a fazer balanços, avaliações no fundo, mas agora a avaliação é em profundidade, no sentido de descortinar algum sentido nos 79 posts precedentes, e nem preciso de os reler para encontrar algo em torno do qual quase todos os posts giram, como se se tratasse de um sistema planetário, alguns posts são cometas, passaram como intrusos, nada tendo a ver com o resto, mas grande parte move-se na órbita de um mesmo ponto, assunto, ou seja lá o que for, que é para não atribuir nomes à estrela no centro deste blogue.

Não era essa a intenção inicial, nem nunca houve essa vontade premeditada, mas passadas tantas palavras não há outro balanço que possa fazer no que diz respeito à identificação do ponto em torno do qual isto gira.

Na verdade a melhor parte tem sido a dos comentários, mas esse balanço fica para outra altura, ou para quem os faz.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

A ingratidão não é um dos sete pecados mortais, pois não?



Era uma vez uma menina que encontrou um pássaro muito ferido, quase de morte.
Pegou nele, levou-o para casa, e durante algum tempo tratou-o, alimentou-o e mimou-o com uma ternura que ele desconhecia.
Quando ela achou que o pássaro estava em condições de sobreviver pelos seus próprios meios, começou a deixar a janela aberta num convite à liberdade, mas ele preferia a doçura daquela prisão farta em ternura à agrura da luta pela sobrevivência em liberdade, e deixou-se ficar.
A menina, firme na sua intenção de devolver o pássaro ao seu meio, pegou nele e atirou-o pela janela, mas o passarito deu meia volta e antes que a menina conseguisse fechar a janela, já estava ele pousado no seu ombro a depenicar-lhe a orelha.
Para grandes males grandes remédios, pegou no pardal, atirou-o pela janela, e antes que ele voltasse, começou a apedrejá-lo e a gritar-lhe impropérios com tal firmeza que ele não teve mesmo outro remédio que não fosse ir chilrear para outro lado.
É fácil imaginar a saudade e o ressentimento a debaterem-se na cabecita confusa do passarito, que apesar das saudades da menina não perde a oportunidade de lhe largar uma caganita em cima sempre que pode.


sábado, 12 de novembro de 2011

Mais uma página em branco

Hoje o dia tem passado como o rasgar de uma página em branco, um rasgar lento em que sinto o som de cada fibra que se separa, e o tempo vai avançando pela folha em branco, lentamente, com pequenas mudanças de velocidade, pequenas curvas, sinto-me parte dele e ao mesmo tempo seu observador.
A meio da folha o tempo parou, o vento soprava excessivamente morno na direcção do mar, grandes ondas que só as gaivotas tinham vontade de surfar, com as asas imóveis em vôo rasante a curvas paredes de água, que avançavam com seus longos cabelos brancos penteados para trás pelo vento quente, até se despedaçarem em explosões de espuma branca contra o cinzento chumbo da água.
Depois o tempo voltou a avançar, e o dia continuou a passar estranhamente môrno, em branco, rasgando-se enquanto se inutiliza, passando.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

O lado iluminado

Não é excitante estarmos no limiar de novos tempos?
Então não tivemos um ritmo de crescimento verdadeiramente impressionante nos últimos 100anos? E digo 100anos que é para não dizer 50!
Crescimento em termos de qualidade de vida, e não sejamos hipócritas com pensamentos filosóficos sobre o que é realmente a qualidade de vida. 

Agora, dizem aqueles que já agouravam a crise, acabou-se o balão de oxigénio para a sociedade ocidental, não dá, vamos ter que regredir, e apresentam argumentos sustentados em dados que de tão óbvios, até admira que já não tenham sido largamente difundidos em campanhas de informação da responsabilidade das autoridades.

A não ser que aconteça algo de novo, uma descoberta cientifica extraordinária, um "ovo de colombo", algo que traga novas fontes de riqueza, o que também pode acontecer, já aconteceu no passado, mas o quê?
Seja como for, para o bem ou para o mal, estamos certamente no limiar de grandes mudanças.

E apesar de tudo continuamos a querer ter filhos, o que é bom sinal.

domingo, 6 de novembro de 2011

O belho

Ele olha para mim, lá de baixo.
Quando estou nesta posição vejo-lhe os olhos e ele poderia ver os meus, se os seus tivessem essa função, a de ver, mas a função dos seus olhos sempre foi a de ajudar a ver.
Está ali no mesmo sitio há 2 anos à espera, e enquanto espera, se tivesse memória poderia lembrar tantos momentos, tantos lugares, foi quase um elemento da familia durante alguns anos. 
Quando chegou foi uma surpresa que fiz ao resto da familia, todos gostaram, foi quase como se tivesse chegado a casa com um cãozinho, quem gostou mais foram as crianças, ou melhor, diria mesmo que deliraram.
"Viu" as crianças passarem pela adolescência, fomos todos juntos para tantos lados, viu a familia separar-se, e um dia viu chegar o seu substituto, mas não foi deitado fora, ficou ali naquele sitio, onde o posso ver entre os ramos de uma palmeira, adormecido, com a promessa que ainda teria muitas aventuras com as crianças.
E lá continua, sem suspeitar que as crianças já não o são, antes são jovens adultos mimados que franzem o nariz ao empoeirado, mas pronto a acordar a qualquer momento, ao simples rodar da chave na ignição.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Nem só o herpes é para sempre

Eu acredito que as coisas ficam para sempre, tudo o que foi ainda é, não na sua essência fisica, mas pelo facto de ter existido como entidade fisica, ou como acontecimento,  mesmo que tenha sido completamente esquecido, que não reste registo, faz parte do todo, e como tal, nele tem o seu lugar cativo.

É um pensamento estranho este, até para mim, mas é uma realidade, e apercebi-me disso hoje, ao abrir as janelas da memória. Lá estavam pessoas, coisas, lugares, sentimentos, que já nem me lembrava que fazem parte de mim.