domingo, 6 de novembro de 2011

O belho

Ele olha para mim, lá de baixo.
Quando estou nesta posição vejo-lhe os olhos e ele poderia ver os meus, se os seus tivessem essa função, a de ver, mas a função dos seus olhos sempre foi a de ajudar a ver.
Está ali no mesmo sitio há 2 anos à espera, e enquanto espera, se tivesse memória poderia lembrar tantos momentos, tantos lugares, foi quase um elemento da familia durante alguns anos. 
Quando chegou foi uma surpresa que fiz ao resto da familia, todos gostaram, foi quase como se tivesse chegado a casa com um cãozinho, quem gostou mais foram as crianças, ou melhor, diria mesmo que deliraram.
"Viu" as crianças passarem pela adolescência, fomos todos juntos para tantos lados, viu a familia separar-se, e um dia viu chegar o seu substituto, mas não foi deitado fora, ficou ali naquele sitio, onde o posso ver entre os ramos de uma palmeira, adormecido, com a promessa que ainda teria muitas aventuras com as crianças.
E lá continua, sem suspeitar que as crianças já não o são, antes são jovens adultos mimados que franzem o nariz ao empoeirado, mas pronto a acordar a qualquer momento, ao simples rodar da chave na ignição.

1 comentário:

  1. O meu pai também tem um belho, que pra lá está a um canto.
    Eu adoro-o e no Verão dou sempre um ou dois passeios com ele.
    Vai sempre muito seguro de si e orgulhoso.
    Cansa-me um pouco os braços ampará-lo mas é sempre um prazer revê-lo.

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