terça-feira, 8 de novembro de 2011

O lado iluminado

Não é excitante estarmos no limiar de novos tempos?
Então não tivemos um ritmo de crescimento verdadeiramente impressionante nos últimos 100anos? E digo 100anos que é para não dizer 50!
Crescimento em termos de qualidade de vida, e não sejamos hipócritas com pensamentos filosóficos sobre o que é realmente a qualidade de vida. 

Agora, dizem aqueles que já agouravam a crise, acabou-se o balão de oxigénio para a sociedade ocidental, não dá, vamos ter que regredir, e apresentam argumentos sustentados em dados que de tão óbvios, até admira que já não tenham sido largamente difundidos em campanhas de informação da responsabilidade das autoridades.

A não ser que aconteça algo de novo, uma descoberta cientifica extraordinária, um "ovo de colombo", algo que traga novas fontes de riqueza, o que também pode acontecer, já aconteceu no passado, mas o quê?
Seja como for, para o bem ou para o mal, estamos certamente no limiar de grandes mudanças.

E apesar de tudo continuamos a querer ter filhos, o que é bom sinal.

29 comentários:

  1. E não é? eu acho muito bem que se continue a querer ter filhos, eu mesma, se pudesse ainda tinha pelo menos mais um. E o que é aquilo da "responsabilidade da autoridade"? lá tem a sua quota parte, é claro, mas então e nós? alguém pôs uma arma à cabeça d'alguém, quando se andava a oferecer cartões de crédito nos corredores dos shoppings e as pessoas não só aceitavam, como usavam?
    Empréstimos pra férias, meu docinho, isto cabe na cabeça de alguém? carros d'alta cilindrada, desde que apareceram os leasings, só porque sim, porque estava ao alcance de todos, mesmo daqueles que têm um salário médio. Porra pá, mas as pessoas não pensam, caralho?

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  2. Então eu corrijo, neste momento não devemos esperar a responsabilidade da autoridade, mas a sua responsabilização.
    Ó minha amiga, a malta é sonhadora, e o sonho comanda a vida, pá.
    Então não foi fixe? Pelo menos a malta curtiu, mas estará disposta a ficar sem nada depois de ter quase tudo?
    Será que a malta tem engenho para se descobrir novos eldorados?
    Vamos voltar à agricultura de subsistência e ser felizes mesmo assim?

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  3. A malta tem que sonhar com os pés no chão, pá, pelo menos nestas coisas que envolvem subsistências d'ordem orgânica, né? que no resto está tudo à vontade, voe-se até onde se puder, caia-se ou não, nem as estrelas são o limite.
    São os ciclos da vida, cára, já lá vai o tempo do tudo garantido, agora é um dia de cada vez e mai nada.
    Jones, se tivemos engenho pra dar cabo desta merda toda, temos mais é que o encontrar, pra nos pormos de pé de novo. Talvez precisemos disso mesmo, de voltar à agricultura de subsistência, pra descobrirmos que pra estarmos bem, não carece estarmos estupidamente caro.

    Diz-te uma gaja que já teve,depois veio pra cá com uma mão à frente e outra atrás, ganhou outra vez e agora está como estamos todos. Preocupada, mas bem.

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  4. Eu cá não estou preocupado comigo, que eu sou gajo fácil de satisfazer, nem sei se esteja verdadeiramente preocupado com o futuro, nunca foi o meu estilo preocupar-me com o futuro, o que não impede que pense nele, e crie expectativas, efabulações, e até perspective cenários catastróficos, mas na verdade não deixo de sentir uma certa curiosidade, e que me faz sentir aquele que não consegue evitar, e abranda para ver melhor o acidente.

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  5. Tinhamos que definir a concepção de "catástrofe", pra cada um de nós. O que sei é que ainda não chegámos ao fundo, mas uma vez lá, the only way is up.
    Na pior das hipóteses viro freira, porque outra certeza que temos é que aí nada faz mossa,maneiras que faço-de de virgem e peço asilo às carmelitas. Depois se quiseres passas por lá, que dou-te um pratinho de sopa.

    (Isto não há nada como ouvir ao vivo e a cores uns tiros ou rebentamentos pra uma pessoa ver as coisas por outra perspectiva)

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  6. Não vejo nada de excitante nesta mudança e é um facto insofismável que vamos regredir, aliás, já estamos a regredir. Vamos empobrecer, mais do que alguns de nós já são. Estou a referir-me à população em geral, à fodidíssima classe média e sobretudo aos tão falados 2 milhões de pobres que mais pobres ficarão. Porque é possível ser-se mais pobre ainda.
    Junkie,as dificuldades não foram apresentadas porque os cenários negros não fazem ganhar eleições e o poder parece que é uma atracção fatal, fatal para nós, claro está!
    Todos agora nos apontam o dedo: vivemos acima das nossas possibilidades, comprámos tudo e mais umas botas com o dinheiro que tínhamos e sobretudo com o que não tínhamos. E como é que o fizemos? Com os cartões de crédito que os bancos nos enfiavam pelos olhos adentro em todo o canto e esquina, com os empréstimos com que nos aliciavam. Com que então julgávamos que tínhamos direito a educação, à saúde,todos, os que a podiam pagar e os que não tinham onde cair mortos, a ter uma casita( as rendas de casa eram iguais ou superiores aos juros dos empréstimos), começámos a viver demasiado e a receber reformas por trabalharmos ao longo de anos e termos feito os respectivos descontos? Que malandros que nós temos sido por querer viver bem!
    Declaração de interesses: pertenço ao grupo dos que muito, mesmo muito provavelmente, não terá reforma, nunca usei cartão de crédito- tive uma educação espartana: gastar apenas na justa medida do que se tem e de preferência menos para se poder poupar- sou considerada uma pessoa poupada e eu concordo com essa opinião. Não obstante, não serei poupada ao calvário que se aproxima.
    Também não tenho medo de enfrentar uma vida de privações.

    A moral desta história não tem nada de original, é recorrente : quando o mar bate na rocha, quem se lixa é o mexilhão.

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  7. Pois claro que tempos dificeis nos aguardam, a questão que se coloca é sobre a forma como vamos adaptar-nos à situação.
    Não acontecerá em 10 anos, e entretanto muita miséria, muitas depressões, mas por outro lado não deixo de acreditar que existe mais felicidade para além do consumismo, acredito que o ser humano tende para a perfeição, o tipo de evolução que temos tido destruir-nos-ia irremediavelmente mais tarde ou mais cedo, é necessária uma mudança profunda, não vamos perder a evolução tecnológica adquirida,nem os conhecimentos cientificos, portanto a regressão é ao nivel das expectativas criadas que forçosamente passarão a ser outras, e talvez seja essa a pedra filosofal que não encontramos, ainda.

    Afinal este post é sobre o lado solar, sobre o optimismo.

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  8. Entretanto não consigo deixar de pensar no que a Isaltina disse, que voltaria a ser virgem.

    É pá, Isaltina, vão acontecer muitas mudanças, mas não esperes milagres.

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  9. Eu também sou pelo optimismo e pela resiliência, mas não gostava de confundir consumismo com condições de vida dignas e, por esse facto, indutoras de felicidade.
    O que eu pretendi dizer é que sob o pretexto de mudarmos de paradigma de vida, dessa vida de consumismo ( já agora convém não esquecer que este mundo ocidental, livre e democrático, onde eu gosto de viver, é capitalista e o capitalismo assenta no consumo)vamos sacrificar esses outros aspectos que determinam a qualidade e a dignidade da nossa vida.
    Não vão só tirar as "gorduras", como tão ridiculamente agora gostam de dizer, temo que vai ser a carne até ao osso.
    Não há felicidade de barriga vazia.
    E por mais democrata e livre que seja um país, os pobres nunca são livres.

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  10. Pois não há felicidade de barriga vazia, mas há imenso terreno para cultivar, antigamente ter um quintal era quase sinónimo de ter um galinheiro.

    De facto era optimo termos cuidados de saúde bons e gratuitos, mas isso são coisas extremamente caras, e que sendo pagas pelo estado, o seu preço torna-se uma coisa vaga, uma nebulosa onde não se sabe bem quem está a ganhar com os serviços de saúde, se os doentes se a industria que fornece os hospitais.

    Talvez não possamos ter um professor especializado, por conta do estado, dedicado a cada criança deficiente, e é terrivel pensar isto, mas existem condições para isso?

    Onde geramos riqueza para pagar estas coisas?
    Por acaso o nosso país é rico?
    Mesmo que não tivessemos empréstimos para pagar, duvido que o país gere riqueza suficiente para sustentar o nivel de vida que temos.

    Quanto à dignidade, isso tem muito que se lhe diga, mas por acaso os pais dos nossos avós eram indignos? Não devemos confundir dignidade com conforto, e será o conforto sinónimo de felicidade? Tenho cá as minhas dúvidas.

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  11. Dignidade, não tem nada a ver com dignidade pessoal. A pessoa mais pobre e humilde pode ser infinitamente mais digna que o mais abastado.
    Dignidade no sentido das condições de vida que merecemos, de que somos dignos, como seres humanos.

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  12. E era a essa dignidade mesmo que me referia, não eram os nossos antepassados dignos como seres humanos?
    Tinham menos conforto, mas eram mais infelizes?

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  13. Mas Margarida, leste bem?

    ...mas por outro lado não deixo de acreditar que existe mais felicidade para além do consumismo, acredito que o ser humano tende para a perfeição, o tipo de evolução que temos tido destruir-nos-ia irremediavelmente mais tarde ou mais cedo, é necessária uma mudança profunda, não vamos perder a evolução tecnológica adquirida,nem os conhecimentos cientificos, portanto a regressão é ao nivel das expectativas criadas que forçosamente passarão a ser outras, e talvez seja essa a pedra filosofal que não encontramos, ainda.

    É que está tudo ali.
    Tudo o que fizemos até agora, está errado. Pra mim, conforto faz parte da minha felicidade, enquanto bem estar, mas de quanto conforto preciso eu pra me sentir bem? Tá claro que boa parte do que temos, temo-las porque a vida que levamos assim o impõe, mas quanto de supérfluo ultrapassa o acima do básico e necessário?
    Penso que o que o Junkie quis dizer, é que mudanças são mesmo necessárias, tudo o que a evolução nos trouxe, esteve a ser sub valorizado, na medida em que sobre valorizamos a sua utilidade, em coisas que de facto não têm utilidade nenhuma. Eu não preciso de 3 telemóveis. Nem de 2 carros. Ou de 3 casas. Ou de 1 com 3 pisos. As coisas estão mal distribuídas, mal orientadas, sempre estiveram. Consumimos à maluca, porque está ali à disposição de todos pra ser consumido, e deu no que deu.
    De forma que temos que regredir, sim, mas não concordo que seja como de "cavalo pra burro", temos que o fazer, com a aprendizagem de como tudo de negativo que fizemos até hoje, repercutiu em nós.
    Eu posso ter o meu conforto, exclusivamente com aquilo que de facto me dá conforto.

    Agora, tá claro que é assustador, óbvio que a fome baterá, como já bate, à porta de muita gente e sabem só os deuses se não faremos parte deles num futuro próximo.
    Daí a necessidade de reconsiderarmos tudo. As mudanças vão ter que ser radicais. A mentalidade, a forma de estar, o que de facto é importante, tem que ser muito questionado. De nada serve revoltar-mo-nos contra o mal instalado, fomos nós que o intalamos. Restam-nos considerar alternativas. E é aqui que devia entrar a responsabilização das autoridades. Isto não é, acho, só uma questão de economias mundiais em crise, acho, é uma questão extenuação de recursos. Esgota-mo-los. Não há mais.Usamos desgovernadamente, sem nada repor, sem cuidar, tem sido cada um por si, quando devia ter sido todos por um.

    Os nossos filhos, estão contaminados. Precisam desesperadamente do último lançamento de tudo que é lançado. Está mal. Do que eles precisam, é de saber que não precisam.

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  14. *esgotamo-los.

    A quantidade de gente que vive à conta de subsídios, a quantidade de baixas indevidas, a quantidade de tudo mal atribuído, como se sabe muito bem, é parte responsável do estado em que estamos e não me refiro só a Portugal. O que interessa saber, à parte do porquê dessas situações, tá claro, é porque raio as pessoas pensam, que isso é um direito que lhes assiste.

    Reparemos no nosso dia a dia. Qualquer situação que se apresente a alguém. Vejam lá se a resposta não começa por "eu", e passa-se a contar o seu caso pessoal, independentemente da questão que foi exposta. É tão simples quanto isto.

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  15. Eu não estou a menosprezar a dignidade de ninguém.

    Se eu nunca souber que existe tal coisa como uma banheira larga, onde as torneiras deitam água quentinha, eu vou sentir-me muito feliz por ter uma bacia de plástico onde me lavo às prestações.

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  16. Maggie, lá porque existem mulheres belissimas, não quer dizer que masturbar-me de vez em quando não seja agradável.

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  17. Eu estou perfeitamente de acordo que os bens que produzimos estão mal distribuídos e que existe uma desregulação completa a vários níveis e uma enorme incompetência, de quem de direito, de providenciar para que os recursos, que são poucos, sejam bem geridos.
    O que eu não acredito é que quem detém o poder queira alterar esse modelo de sociedade, ou melhor vão mudar mas de forma a que uma parte da população, pequena é certo, continue a viver se possível melhor que antes, enquanto estão a ser pedidos sacrifícios tão grandes a todos os outros.

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  18. Não é que eu me masturbe, que eu não preciso dessas coisas, tenho montes de gajas, GAIJAS.

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  19. Mas se tiveres a mulher belíssima junto a ti, qual será a tua opção?
    Vá e não venhas com argumentações do tipo que ela pode estar com o período e mais não sei o quê e rebéubéu, pardais ao ninho.

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  20. Chuta Junkie, que tou à espera e cheia de pressa.

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  21. Há um limite para aquilo que as pessoas estão dispostas a aceitar, mesmo as pessoas portuguesas.

    E acrescento mais isto, eu acredito que ainda vamos despoluir os rios, e vamos ser uma civilização desenvolvida em harmonia com a natureza.
    Não será para os nossos dias, mas prefiro acreditar nisso, e pensar que as gerações vindouras terão herança para receber.

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  22. Maggie, mas nós temos opção?

    Ou tu achas que os feios não gostavam de ter parceiros lindos?

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  23. Estávamos a falar do conceito de felicidade e tu questionavas "Tinham menos conforto, mas eram mais infelizes?"
    O ponto é que desconhecendo outras realidades " mais confortáveis", é impossível comparar, logo não aspiram a melhor, logo é fácil sentirem-se bem,felizes com o que têm.

    Quando pela primeira vez dás uma queca, verificas que é melhor que a masturbação. Depois
    já nada é como dantes. Já és mais feliz a dar a queca.

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  24. Chegaram a ver isto?

    http://vimeo.com/25142692



    Eu não entendo uma merda de economia, mas consegue-se descortinar como é que a ganância e o descontrole nos fornicou a todos.
    Isa e Junkie, eu quero ter essa esperança de que vamos conseguir "mudar as nossas expectativas".

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  25. Se queres que te diga, para mim que tenho a sorte de apesar da crise me manter acima da linha de água, o que me lixa mesmo é assistir à impunidade.

    Por exemplo, havia um lobby para que se construisse uma terceira auto-estrada Porto-Lisboa. Era fodê-los à chapada, e isto só a titulo de exemplo.

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  26. Têm sido feitas barbaridades que parecem mentira.
    Li não sei onde, que a empresa do famoso nado morto, que foi o metro de Coimbra, tinha 7 administradores!

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  27. A mim já nada me surpreende. É só fazermos as contas, vermos o saldo negativo e tentarmos imaginar as mil e uma formas de pra onde esse dinheiro foi. Pena é que só tomemos consciência disso quando já estamos na merda.

    Foda-se pás, o Sócrates fazia compras na loja mais cara do mundo, lá na não sei quantas dos States, tinha lá o nome dele e tudo, caray.

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  28. Acho que era em Los Angeles. Uma afronta à pobreza.
    Faz lembrar os governantes africanos. Só que nós não temos petróleo nem diamantes.

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