sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

O desassossego de ser humano

De pé em cima de uma duna olhava em volta, algo desalentado via de um lado uma planicie sem fim, e do outro, recortados no horizonte, cumes de incontáveis dunas.
Naquele deserto não havia sede nem fome, não havia calor tórrido nem frio insuportável, havia o sol que brincava às escondidas com as sombras, havia o sitio de onde tinha vindo e o sitio para onde se dirigia, havia o lado da planicie, e havia o lado das dunas.
A falta de alternativas facilita sempre as escolhas, e num sitio onde a unica coisa a fazer é continuar, só resta escolher a direcção. Ou a planicie sem fim, sem surpresas, onde só as miragens em sonho quebram a monotonia, mas sempre a certeza da ausência de expectativas, ou escolher uma outra duna para subir e constatar que do outro lado não há nada a não ser o contorno de incontáveis dunas recortadas no horizonte, cada uma escondendo algo que não se vê, mas que pela experiência pode deduzir-se que nada lá estará, numa verdade sempre ensombrada pela incerteza. 
A escolha entre um caminho de desérticas certezas, ou um caminho de expectativas goradas.
Quem sou eu, perguntava-se, enquanto olhava para os pés que o levariam para onde a sua natureza indicasse. 
Sou um ser humano, nasci coberto da ambição de ter, como poderia optar por um caminho de certezas, em que só sonharia com miragens, em detrimento da escolha de um caminho de expectativas, de uma quase certa desilusão, mas onde posso sonhar com incertezas? A vida de um gajo poderia ser bem mais fácil, mas continuarei a dar significado à minha condição de ser humano, decidiu, e escolheu outra duna para subir.

36 comentários:

  1. Posto isto, e segundo o personagem deste post, eu não sou um ser humano, conforme minha confissão aqui há uns posts atrás em que me congratulava pelo alivio de não ter objectivos.

    Ou melhor, eu não sou um ser humano comum.

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  2. Poderia dizer então que sou um anormal, mas prefiro achar-me especial.

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  3. Es só um anormal, desculpa, e um daqueles mariquinhas e coitadinho.

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  4. E rodeado de areia por todos os lados? Que tédio

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  5. Pois é anónimo, é como eu dizia, a minha vida é tão dificil...

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  6. Espero não ter sido muito bruta, mas por vezes faz bem dizer o que nos vai na alma e eu sou assim... transparente.

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  7. Podias ter escolhido água em vez de areia.

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  8. Podemos não ter a dose certa de ambição para traçarmos grandes objectivos, navegarmos à vista pela vida, mas existe sempre dentro de nós algum desassossego que num dado momento nos impele num sentido e não noutro.

    Eu ando à bolina pela vida mas sei que vou chegar a algum sítio. Provavelmente será uma viagem de circum-navegação. Acho que a vida é mesmo isso.

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  9. No problema anónimo, à bruta também é bom, e não me melindra que tenhas opinião sobre mim.

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  10. Maggie a velejadora, que os ventos te sejam favoraveis, e que não te surjam na vida adamastores.

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  11. Bruxo! Foi quase assim:

    "Não acabava, quando ua figura

    Se nos mostra no ar, robusta e válida,

    De disforme e grandíssima estatura;

    O rosto carregado, a barba esquálida,

    Os olhos encovados, e a postura

    Medonha e má e a cor terrena e pálida;

    Cheios de terra e crespos os cabelos,

    A boca negra, os dentes amarelos."

    Passado o Cabo das Tormentas, vai tudo na boa.

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  12. Maggie, então tu conheces o anónimo e não dizias nada?

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  13. Tu não me arranjes complicações na vida que eu sou uma moça séria!

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  14. Agora não percebi, estás a querer dizer que o anónimo não é pessoa séria?

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  15. Nada disso, séria eu que não gosto de mal entendidos. Longe de mim chamar Adamastor a alguém que não conheço.
    Eu sei lá quem é o anónimo!
    Gramaticalmente parece uma anónima.

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  16. Ninguém sabe quem é, mas parece saber quem é toda a gente.

    Tenho uma suspeita de que seja um virus informático, ou na tua perspectiva, uma bactéria gramatical.

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  17. Não pode ser má pessoa porque já aqui manifestou o seu afecto por crianças.
    Sabes que eu também não sou má pessoa?
    Também gosto de crianças e os cães gostam de mim.

    Verdade. Cão que se aproxime de mim, nunca me ladra, encosta-se às minhas pernas, mansinho.
    É bom sinal, não é?

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  18. É. Sinal de que o cão é abichanado. Quem se encosta sao os gatos, que se roçam nas pernas, coisa que eu detesto. Se os caes gostam de ti, abanam o rabo e mostram uns olhinhos contentes.

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  19. Ninguém percebeu a minha piada da água?
    Acham mesmo que eu sou sempre boazinha, mesmo quando sou má?

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  20. A piada da água é muito pra lá de Bagdad.
    Muita areia para a minha praia.

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  21. Pensando bem, tendo em conta que e devido a, prefiro ser boazona a boazinha.
    Às vezes também gosto de ser mazona.

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  22. A piada da água estava muito boa mesmo, aliás, como tudo o que o anónimo vai deixando por aqui, é interessante e engraçadissimo.

    A Maggie mazona, essa é muito mais engraçada, gostava de assistir.

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  23. A piada da água é bués complicada para mim.
    Se não caminhasses pela areia, caminhavas pela água,caminhavas assim:

    http://www.youtube.com/watch?v=Oe3St1GgoHQ&feature=player_embedded

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  24. Nao quero que te afogues, porque nem essa Santa de quem tu tanto gostas ou finges gostar te safava.

    A piada era um bocado básica, estas a ser sarcastico ou a dar-me graxa?

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  25. Nem uma coisa nem outra, básicamente estou a mandar-te pró caralho.

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  26. Maggie, já tinha visto muita coisa, mas essa está demais mesmo, se é montagem está muito bem feito, se não é, então pode dizer-se que é um desporto milenar, já cristo caminhou sobre as águas.

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  27. Que saudades eu hoje tive disto:

    http://www.youtube.com/watch?v=RpwsuhOUAkk

    Há montes de tempo que não ouvia...

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  28. Ai que saudades de uma caldeirada de enguias.

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  29. Eu adoro caldeirada de enguias e a melhor que já comi foi em Peniche!
    Com fatias de pão frito ou torrado,no fundo da terrina, tão bom!
    Já comi outras noutros sítios, mas nada que se compare.

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  30. Já andámos, mais que uma vez, aqui às voltas com a definição de amor.
    Hoje, no blog Lei Seca,encontrei um excerto de "Wuthering Heights", em que Catherine fala do que sente por Heathcliff :
    "If all else perished, and he remained, I should still continue to be; and if all else remained, and he were annihilated, the universe would turn to a mighty stranger: I should not seem a part of it."

    Se o amor não é isto, então não sei o que será.

    Junkie,o amor também é uma das causas do desassossego do ser humano.

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  31. A mim o desassossego dá-me para comer.
    O que eu gosto de uma caldeirada de peixe. As enguias dão muito trabalho a arranjar (a tirar as espinhas no prato) e prefiro fritas.

    M, a ti que te ocorrem bandas sonoras para tudo, "fragilidade de um sorriso" tocar-se-ia ao som de...?

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  32. O amor não tem de ser trágico e desvairado para o ser.

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  33. Epá, talvez ao som disto: http://www.youtube.com/watch?v=vBTfvkvy4tM

    Ou eu não sei o que são enguias ou então não percebo essa dificuldade da espinha. Só têm aquela espinha que sai inteira, sem problema algum.
    E se eu não tenho problema com a espinha das enguias, de certeza que mais ninguém tem, porque eu sou uma esquisita com espinhas.

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  34. Obrigada, só ouvi agora. A letra é bonita mas aquela bateria (?) stressa-me um bocado. Procurava uma música mais poderosa, se não fica toda a gente a dormir.

    Tirar a pele e a espinha meticulosamente para comer apenas aquele bocadinho de peixe que está no meio dá trabalho, apenas isso.

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