terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Triste fado para uns, património material para outros

Pode agora o fado ser património imaterial da humanidade, mas não há fado como o nosso.

Excerto de uma conversa:

- Vais pagar?
- Ainda não sei, se calhar vou, o pessoal que conheço pagou todo, e o não sei quantos não pagou e reprovou.
- Então e quanto é?
- 200 aereos!
- Já perguntaste?
- Não, mas é o que todos dizem que pagaram.
- Então, mas pagas a quem?
- Paga-se ao instructor, e ele fala com o gajo que faz o exame.
- Então, mas o que te garante que o dinheiro chega ao gajo que faz o exame?
- Nada!
- Às tantas o instructor fica com o dinheiro. Se reprovares devolvem-te o dinheiro, não é?
- Sei lá, acho que não, o não sei quantos pagou, mas como fez uma asneira reprovou e não lhe devolveram o dinheiro, e quando foi novamente a exame, pagou de novo e dessa vez passou.
- Mas um gajo desses faz não sei quantos exames por dia, todos os dias, 200 euros , cum caraças....
- Às tantas dividem entre o instructor e o gajo que faz o exame.
- Então, e vais pagar?
- Não sei, se calhar....

9 comentários:

  1. Já ouvi algumas histórias semelhantes.
    A um nível mais elevado (de vigarice) está mais na moda alheiras, robalos e pão-de-ló em vez de aereos.

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  2. Esse fado há pelo mundo todo, gajo. Sabes que até há quem compre a carta de condução por atacado, isto é, sem sequer pôr os cotos numa escola.

    A mim também me pediram, já lá vai um século. Eu disse que não pagava (era só o que faltava, cambada de filhos da puta) e passei. Portanto aconselho vivamente a que não se ceda a esse tipo de chantagem, até porque como se vê, não garante o "prémio". Denunciar o cabrão, também seria uma boa ideia, eu não o fiz, mas olha que me arrependo.
    A ter qualquer coisa, que seja por mérito próprio.
    Pelos deuses! Se as conversas já nem sequer incluem algum tipo de indignação,ondé que isto tudo vai parar, noé?

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  3. Infelizmente o que há mais é disso. O pior é que os tipos recebem 200 euros por cabeça, limpinhos, sem comer nem beber e tem mais, desse não fazem descontos para o Estado. No fim, passa quem eles quiserem. Triste fado o nosso.

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  4. Quando eu tirei a carta ninguém me propôs nada e eu não propus nada a ninguém, mas também havia rumores de que se poderia dar dinheiro para "comprar" a carta. Denunciar é o correcto, mas denunciar não chega, é preciso provar, e se a coisa afinal se tornou algo de tão comum, porque é que as autoridades não actuam? Ou será que tal coisa não chegou ao conhecimento das autoridades?

    Na minha opinião, modesta, mas a que tenho, quem fica com o dinheiro são os intermediários, e o milagre da grande percentagem de quem paga passar no exame deve-se à auto confiança dos candidatos no momento do exame.
    Um gajo que pagou deve sentir-se menos nervoso que um gajo que não pagou, mas sabe que poderia ter pago.

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  5. Acredito que muitas vezes não passe de um bluff com intuito de extorquir dinheiro ao incauto e nervoso examinando. Examinadores haverá, que nem devem ter conhecimento da situação porque o "negócio" ficou pelo caminho, como dizes, nas mãos do intermediário.
    Corruptor e corrompido. Eu própria já dei dinheiro a uma empregada de um consultório para me arranjar consulta na hora. Ela fez-se ao bife e eu, como precisava muito, acedi.

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  6. Eu, por não ter pago, ia convencidissima que ia chumbar. Ainda não percebi se passei porque merecia, ou se porque os gajos ficaam com receio de eventuais consequências.

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  7. Isaltina, imagino que tenhas passado o exame todo nervosa a falar...
    blábláblábláblá...
    O examinador aterrorizado com a possibilidade de lhe saires de novo na rifa, passou-te e benzeu-se para pedir desculpa ao S. Cristovão, o padroeiro dos condutores.

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  8. Quando vieres à minha terra dás uma voltita de carro avec moi, e 'pois logo vês, cara pálida.

    Ia tão nervosa que nem abri a boca, o examinador mandou-me virar à direita, virei e ia matando uns transeuntes que se encontravam indevidamente(e no meu ponto de vista, ilegalmente até) no meio da estrada em vez de no passeio. Ele disse-me "tão Isabel! não se pode matar as pessoas!!" e eu pensei "fodeu, já chumbei". Maneiras que daí prá frente foi canja. Inversões de marcha, estacionamentos, pontos d'embraiagem, tudo nos trinques.

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  9. Ó Isaltina, é impressão minha, ou está aí nesse "quando vieres à minha terra" um convite?

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