domingo, 13 de maio de 2012

O Charco

Não era um charco qualquer, durante o dia via-se algum movimento, pouco, mas à noite, aquele espelho de água agitava-se frenéticamente, e era um falatório pegado.
Uns apregoavam bem alto a sua presença, saudando todos, repetindo saudações ininterruptamente, como se a sua própria existência dependesse de serem saudados por todos. 
Outros tinham-se por arautos da verdade. Não fossem eles os detentores dos direitos de admissão, e pertenceriam muito provavelmente ao grupo dos saudadores. 
Havia muitas personalidades diferentes, e até classes, entre os habitantes daquele charco. 
Para um observador aquilo não passaria de uma sinfonia de rãs ao luar, mas para eles, que lá chapinhavam, era um local mágico, onde cada noite se construiam sonhos, se fortaleciam laços, ou ruíam relações por não mais do que nada.

Senão vejamos, para um Deus à escala universal, não será aceitável que sejamos para ele, como seria para nós um grupo de rãs num pequeno charco?

11 comentários:

  1. É interessante a ideia do charco que se agita quando a noite chega... É muito bem observado.

    Eu ainda nem sequer tenho o estatuto de rã. Sou um insignificante girino.

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  2. Pois, pois, girino... a malta acredita mesmo que ainda és assim tão jovem.

    Como diria alguém, "mulheres....."

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  3. Não me refiro à idade. Girino, numa hierarquia de importância.

    Quanto à idade, nasci no ano da Sé de Braga! :)

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  4. "se fortaleciam laços" Parece-te?

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  5. Pois é Maggie, é como eu dizia, mulheres....

    Agora comparas-te a um monumento.
    Mas tu queres convencer quem?

    Além de que os girinos são importantissimos, sem eles não existiam rãs.

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  6. Olha lá ó anónimo, mas qual é a tua duvida?
    Se eu o escrevi era porque assim seria, ou achas que eu sou dado à invenção?

    Ou tu sabes de que charco falo e tens opinião diferente?
    Tu diz qualquer coisa com alguma coerência pá.

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  7. Tá na hora do charco começar a borbulhar.

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  8. A borbulhar Maggie? Não era a borbulhar, era a agitar-se!
    Sabes como é, borbulhar pressupõe gases, coisa desagradavel, mesmo quando acompanhados por belos efeitos sonoros.

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  9. A agitar-se, sim. Mas eu acho piada aos gases, rio-me sempre.
    É uma das manifestações mais cómicas do corpo humano, e para o qual não e necessário nenhum talento especial.

    Agora dizes-me e o cheiro? Epá, nessa altura reclama-se e dá-se ao slide.

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  10. Achas gases cómico Maggie?

    Deves ser uma pessoa de riso fácil.

    Mas agora que referiste esse lado cómico da flatulência, recordaste-me um episódio passado há muitos, muito anos atrás, quando estava eu a recuperar de um acidente num sanatório à beira mar, edificio antigo, amplo, que era composto por duas grandes divisões, contíguas, de um lado os homens, do outro as mulheres. Todas as noites, depois de se apagarem as luzes havia uma espécie de ritual dos peidos, em que de um lado e do outro se ouviam as tentativas de fazer ecoar o seu da forma mais extraordinária.
    Eu ficava admirado de como era aquilo possivel, mas de facto a malta achava piada.

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  11. Gosto muito de rir. Acho piada a coisas que, para muitos, parecem insignificantes e o contrário também me acontece: não achar piada ao que provoca riso a muita gente.

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