domingo, 10 de junho de 2012

Pela conagésima vez, a mesma pergunta

Que diferença faço eu no mundo?
Suponho que esta deve ser uma pergunta feita mais de dez vezes em mais de dez línguas diferentes, seguramente em mais de dez séculos, quiçá milénios, e não sei se ficaríamos por aqui.
No meu caso particular, que não é assim tão insignificante como isso, até porque eu, sou eu, acho que não faço diferença nenhuma, sou uma espécie de camaleão, tenho o dom de passar ao esquecimento com uma rapidez notável. Quem passe por mim na rua, é capaz de olhar para mim e pensar, "sim senhor, aqui está um jovem com um ar muito agradável", e cinco metros à frente já nem se lembrar que algum dia olhou para mim. Acho que o termo correcto é, esfumo-me nos interstícios da memória.
E se me desse para cismar e deixar uma marca mais efectiva da minha presença, algo que faça alguns durante algum tempo lembrarem-se de mim?
Irromper na assembleia da republica, nu, e ir fazer uma dança de acasalamento dirigida à Exma. Presidente, não faz bem o meu género.
Claro que isto é tudo no campo das hipóteses, para que quereria um gajo low profile como eu ficar nos anais da história?
Já basta eu ter que me lembrar de mim.

42 comentários:

  1. A conagésima vez é de demais.

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  2. De repente pensei que vinhas informar as/os tuas/teus amáveis leitoras/leitores que tinhas sido também um dos medalhados do 10 de Junho.

    Duas questões me saltam logo das meninges:

    - conagésima é mais ou menos que enésima?
    - os "anais da história" será mesmo um sítio bom para ficar?

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  3. - Olha, não sei quanto é exactamente conagésima, mas deve ser bué.

    - houve anais na história certamente épicos, agora se é um sítio bom para se ficar? Diria que alguns são um sítio bom para ir, mas nunca ficar.

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  4. Anais à parte, o desejo de deixar uma marca indelével transtorna muito boa gente, com resultados muitas vezes lamentáveis.
    Mas quem não gostaria de ser recordado por algo que considere valer a pena ?

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  5. À primeira vista parece que sim, sobretudo numa escala mais geral, parece importante que nos admirem depois de desaparecermos.
    Depois há as pessoas vulgares, como eu, que apenas esperam que duas ou três pessoas gostem de si enquanto por cá andam.

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  6. Pois Marge, mas quem não tem quem goste de si agora, tem assim uma forma, uma esperança, a ilusão de que alguém, algum dia, venha a gostar de si.
    Porque julgas tu que arranjei este blog? Daqui a umas centenas de milhares de anos, numa investigação arqueológica sobre os primórdios da utilização da internet, uma encantadora investigadora vai ler isto e

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  7. Aqui reclamo os meus 15 minutos de fama, há famas melhores, mas também as há piores.

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  8. Achas que nessa altura ainda haverá seres humanos ou restarão apenas baratas?

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  9. Sei lá eu tal coisa, e só me arrependo de esta coisa dos blogues não ser em papel, pelo menos algum dia poderia ser útil.

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  10. Um gajo que escreve "A minha outra margem" deveria por alguns textos no papel.

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  11. Ainda um dia vou publicar aqui a minha obra poética, terei contudo de primeiro garantir a permissão da musa inspiradora.
    Resta-me a certeza de que tal permissão nunca surgirá.

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  12. Se já publicaste aqui tanta coisa inspirada pela mesma musa, não estou a ver qual será o problema por ser em poesia...

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  13. Pois, essa da poesia teve o seu tempo, e na verdade não era grande coisa, era mesmo uma grande merda.
    Mas lá rimar, rimava.
    Nunca devemos subestimar a nossa própria idiotice, ela acabará por nos surpreender.

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  14. Estou a ver o Prós e Contras e vem a Fatinha dizer que a banca
    é o motor da economia, depois avança um tipo e considera que é mais o sistema sanguíneo.
    E então as pessoas, os trabalhadores, não são fundamentais para a economia?

    Ouço isto e apetece-me fazer logo uma revolução. Não tivesse eu umas coisas para fazer e havias de ver...

    Será que a economia, as finanças, são abstracções, desligadas das pessoas, ou são aspectos que devem contribuir para o nosso bem estar? Não é esse o objectivo final da organização das sociedades?

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  15. Que giro, então a política que parte da economia é?
    Nem é preciso dizer, basta cheirar.
    De resto, sabes pá, é um problema, nem todos temos capacidade para governar um país, aliás, deve ser coisa para dar uma trabalheira imensurável, e umas dores de cabeça enormes, pelo menos a mim daria, e quem se dispõe a tal coisa, porque o faria pelo bem geral?
    Pois, deve haver quem o fizesse, mas esses não convencem ninguém, e são raros certamente.

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  16. Afinal o António Borges quando disse que os salários em Portugal deviam baixar, referia-se concerteza ao 1% da população onde desemboca quase toda a riqueza do país.
    Acho que percebi bem.

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  17. Para te aperceberes do gabarito da figura vai aqui http://estadosentido.blogs.sapo.pt/.

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  18. Porque é que os homens gostam tanto de futebol?
    Eu só gosto que o Benfica ganhe no futebol e nas outras 54 coisas, quero dizer em todas, e ponto final.
    Agora os homens, por favor, ficam doidinhos com todos os futebóis e desportos disto e daquilo!
    Junkie, faz um post e explica ao mulherio esta particularidade do machame..

    Passou-se alguma coisa lá no jardim do Éden que a gente não sabe?

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  19. Nem sei que diga, talvez os homens gostem tanto de futebol pelas mesmas razoes que levam as mulheres em grupo ao wc.

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  20. Essa é muito fácil: para pegar nas bags.

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  21. O que nos levava à questão do fascínio por malas, e por aí fora.
    Por alguma razão os homens são diferentes das mulheres, alguma misteriosa e maravilhosa razão.

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  22. Felizmente são, aleluia!

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  23. fazes com que tenha sempre presente a forma imbecil como desperdiço o meu tempo e altero prioridades. Mas não é nada pessoal claro, que não te conheço de lado nenhum.

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    1. Anónimo, está a falar para o dono aqui do estaminé, não está?

      É que eu, a maior parte das vezes, não entendo os comentários do Anónimo, é só por isso.

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    2. Já somos 2 a não entender muita coisa. Mas a culpa é minha, logo nada que. nao se resolva mais dia menos dia.

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    3. Mas não se zangue, eu muitas vezes não entendo mas o problema é meu.

      Até era giro interagir com os seus comentários só que, mesmo que eu queira, não consigo porque me foge o sentido dos mesmos.

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    4. Não é zanga é mágoa

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  24. Para a comentadora "Anita vai ao circo" :


    http://p3.publico.pt/cultura/design/3411/design-os-livros-da-anita-tambem-se-usam

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  25. Junkie, tenho um diabinho no meu espírito que, de vez em quando, o espicaça com o tridente e faz surgir esta dúvida: quando um dia o desejo esmorecer e o prazer acabar, o que fica do amor?

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  26. E isso tem carga afectiva suficiente para manter uma relação?

    Tenho dúvidas...

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  27. Olha Maggie, há tanto no amor para além do sexo, mas é que há mesmo, eu sei porque já estive lá.

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  28. E quando um dia o sexo deixar de ser estimulante, pela rotina, pela idade ou até por razões de saúde, será que o amor se mantém?

    O que liga os casais com relações de 20, 30 anos ainda é amor?

    É possível existir ainda amor ao fim desse tempo todo? ou o que existe são "restos" a que chamamos amizade, cumplicidade, habituação, resignação?

    (a esta altura já estão todos a dizer: foda-se que esta gaja é chata, hoje deu-lhe pa fazer perguntas!)

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    1. Não sei responder a nada disso. Talvez aqueles que tenham tido ligações de décadas o possam fazer, mas não creio que existam respostas absolutas, cada caso é único.

      Sei que não há amor ou desejo ou amizade ou nada que resista à falta de verdade. A falta de confiança, a mentira, a tentativa de manipulação do outro mina tudo, não se consegue construir nada e destrói-se o que existe.

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    2. Sem dúvida. Eu é que ando numa fase de extremo cansaço que me faz mandar o pragmatismo às urtigas e me leva, estupidamente, a antecipar problemas.

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    3. Não sei o que te diga, com o optimismo também te enterras.

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  29. Pensando melhor, se há coisa de que não percebo patavina, é sobre o amor.

    Mas o que não falta por aí, por essa blogosfera fora, é especialistas na matéria, portanto talvez nem tenhas que procurar muito.

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  30. Estava só a conversar aqui. Estou-me nas tintas para os especialistas.

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  31. Aliás, não interessa que acabe,importante é que seja forte e intenso enquanto dure.
    É só isso, mais nada.

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  32. Desculpa lá Junkie, ter feito do teu blog, por momentos, o divã do psicanalista.

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  33. Pois é Maggie, divã do psicanalista não dá, mas podes ferrar uma galhada à vontade, estica-te para aí.

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