sexta-feira, 24 de agosto de 2012

A costela de pombo

Conheço este sítio, já por cá passei inúmeras vezes, e nunca gosto de cá estar. Não estou certo que seja exactamente o mesmo sítio, mas a sensação que me deixa é a mesma, como se estivesse irremediavelmente despojado de parte de mim.
Já por cá passei, e por muito que o tempo corra, volto sempre a passar por aqui. 
O pior mesmo é a constatação em si, o achar que vou no caminho que me levará para longe, e chegar novamente aqui, onde o labirinto me diz, "tu és esse, aí, e a realidade é esta."

4 comentários:

  1. Li isto e… tau, levei um murro no estômago.

    Podia construir um arrazoado de considerações, politicamente correctas, direitinhas, luminosas q.b., a rasar o ridículo da auto-ajuda ou a psicologia de almanaque. A tentação é grande, mesmo para uma indígena como eu, alérgica a mapas de vida.
    Como avançar, arrasar as voltas e reviravoltas do labirinto, atalhar caminho e seguir em frente? Não sei Junkie, mas queria muito saber. Só sei que pode acontecer; num determinado momento várias coisas se conjugam, muitas delas à nossa revelia, o curso da vida altera-se, as sombras desvanecem-se e é possível não voltar à casa de partida.

    Texto belo e forte, foda-se! Less is more, não há dúvida!

    Escapa-me o título. Explica-me.

    ResponderEliminar
  2. Uma noite há muitos, muito anos, estávamos a jantar, e começou-se a ouvir um ruído estranho que vinha da chaminé. Ou era o cabrão do pai Natal que tinha tido remorsos e voltava agora com a minha pista de carros eléctrica, ou então não sei o que seria, fui ver, era uma pomba que caía chaminé abaixo.
    Inspirado decidi fazer criação de pombas, arranjei marido para a enviada dos céus, e fiquei a espreitar os jogos nupciais do casal. Rapidamente se multiplicaram, e um dia decidi oferecer-lhes a liberdade, até porque a conta do milho começava a ser gorda para a minha magra carteira.
    Abri a porta curioso sobre que direcção tomaria o futuro das minhas pombinhas! E não é que as gaias em vez de dispararem para Sul, norte ou sei lá, voaram em círculos até cansarem e pousarem cheias de fome.

    Não sabias? As pombas adoram voar em círculos.

    ResponderEliminar
  3. Os abutres também.



    Grande texto, maméne.

    ResponderEliminar
  4. Pois que nunca fiz criação de abutres, nem tenho grande ligação à espécie, mas se tu o dizes....

    Quanto ao texto pá, estava a pensar ganhar algum dinheiro com ele, mas posto isto ficas desde já nomeada a sua herdeira.

    ResponderEliminar