quarta-feira, 17 de outubro de 2012

E se de repente?

E se de repente todos os descontentes com a actual situação económica do país passassem a certificar-se que só consumiam o produzido em Portugal?
O mais banal, um copo, um guarda-chuva, uma maçã, um isqueiro. Só em situações sem alternativa compraria importado. Compraria só o nacional, mesmo que isso por vezes significasse comprar menos barato.

Isto é das coisas que nunca vão acontecer assim de repente, mas porque não acreditar que seja essa a solução? Acho que vou esmerar-me ainda mais na procura do produto nacional, portanto, gajas estrangeiras que me estejam a ler, ficam desde já a saber que de mim não levam nada, a não ser talvez, sexo puro e cru.

Voltando à epifania, sim, estou convencido que ajudaria muito mais, e nos custaria muito menos que tanta austeridade, mas fazer o quê? O povo é burro! 
Povo onde me incluo....

20 comentários:

  1. E eu a pensar qu'eram flores..

    (Ahhh .. Isa, Isa.. quando, meu bem, QUANDO é que percebes que gajos são gajos e nada há a fazer..)

    Bom, quanto ao post: Janado, questão muito pertinente, e quase tão antiga como o cagar em França, com o perdão da palavra. Primeiro, porque não produzimos tudo o que consumimos, depois porque - como disseste - a produzir - temos a concorrência feroz de de nomeadamente os Chineses, que aos bocadinhos e como quem não quer a coisa, lá se vão apopriando do Mundo. Pior, com o seu consentimento, legislações e tudo a fazer pendant.
    Pessoalmente, tento. Muito. Mas a verdade, é que para além do acima referido, falha-nos em muitas áreas, o que temos de sobra em qualidade.

    Portanto, que tal pormos a questão ao avesso? E se os Portugueses deixassem de ser uns conas, pusessem os olhinhos no que se faz lá por fora nas mais variadas vertentes, e ao invés de se queixarem em separado, fizessem umas coisas giras por atacado? .. hum?

    Tu repara, que nem no que deviamos ser fortes, na medida em que temos de sobra potencial para, o somos. Turismo. Metade de Portugal não sabe que existe uma outra metade rica em História e
    linda de morrer. Mas não. A gente prefere ir prás Maldivas.





    .. Sempre que me ponho a arrumar armários, fico muito mais opinativa co costume..

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  2. O problema é que o primeiro pensamento vai sempre para o produto mais barato (pelo menos o meu)!

    :)

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  3. Pois era mesmo aí que eu queria chegar, e aparentemente não me fiz entender. Quem é que vai querer visitar o Portugal histórico para além dos portugueses?
    Mas por outro lado tens toda a razão Isabel Maria,, estamos muito longe de produzir tudo o que consumimos, mas já produzimos mais do que agora, e continuaremos a produzir cada vez menos daquilo que precisamos, quem é que teria especial interesse em consumir artigos portugueses para além dos portugueses?
    Não me estou assim a lembrar de nenhum país que esteja a enriquecer com o turismo, nem sequer a Grécia, contudo consigo citar alguns que continuam a enriquecer com a industria.

    Quanto ao turismo, temos potencial de facto, um clima agradável quando comparado com os países do norte da Europa, mas nunca será o turismo que trará riqueza a Portugal, mas compreendo Isabel Maria, o teu interesse no desenvolvimento do turismo em Portugal, quanto mais não seja em abstracto.

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  4. Pois é normal que se escolha o mais barato, e por vezes o mais barato até é melhor, mas por cada coisa importada que se compra, há menos uma coisa nacional a ser necessária.

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  5. Junkie, não se trata só de clima. É o clima aliado à riqueza histórica, grande parte da qual nem sequer temos conhecimento, sabes muito bem. Não se protege o que temos. Não se leva nem sequer ao conhecimento dos próprios Portugueses, quanto mais aos
    estrangeiros. Não se investe, resumindo.
    Nem precisamos de falar de paisagens menos conhecidas, pensemos no Algarve, que está há uma porrada d'anos exactamente na mesma, mais coisa menos cousa. Funciona de verão, mal, preços exorbitantes, serviço pobre, mesmo embora tenha melhorado ultimamente.
    Mas a sério, não se podia fazer mais nada dali? Será assim tão difícil tirar-se partido daquilo tudo de belo, que teimam em deixar feio?
    O Mónaco, por exemplo, sustenta-se de casinos. E máfia, ok, mas disso já nós cá temos, né?

    Sobre a industria, está claro que já fomos muito mais fortes do que somos, já tivemos umas palavrinhas a dizer no estrangeiro, e se não estou em erro, ainda temos. No estrangeiro. Produz-se pra exportação. Queres comprar qualquer coisa que seja produzida pra consumo interno, é o que se vê. Pobreza d'imaginação e preços altissimos. E lá volta a concorrência nos mais variados sectores, e lá volta a falta de visão dos industriais, que têm pra eles que
    de Portugal, só o galo de barcelos, vinho do porto, enchidos e arroz doce..
    Caray, nós somos bons quando queremos. Só nos falta querer.


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  6. Em adenda, conheço e convivo com quilos de pessoas, que têm essa preocupação, sabes? De comprar Português. Mas o facto é que às vezes, muitas vezes, queres qualquer coisa, e não encontras na produção cá do sítio.
    Simples: Zara Home, tem paralelo em produção nacional? Não. A não ser que queiras comprar - se falarmos de louças - Vista Alegre, que dá a impressão pelos preços que pratica, que produz exclusivamente pra estrangeiros endinheirados. E no resto é igual, roupas de casa e etc.
    Encontras sites com produtos nacionais, que falham na originalidade e variedade.

    Junkie, apareça a oferta, que de certezinha que há quem compre.

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  7. Já ouviste falar, Isabel Maria, da pescadinha de rabo na boca? Pois que não sei se é prato típico português, mas é do que nós andamos a comer, e se não forçamos uma mudança de dieta é o que continuaremos a comer.
    Eu cá sou um gajo um tanto limitado, comparado com tantos outros, mas acho que não me engano ao dizer que enquanto cagarmos mais do que comermos, continuamos a emagrecer, enquanto consumirmos mais do que produzimos continuamos a empobrecer, e quem poderá ter um interesse especial em consumir o que nós produzimos, para além de nós?
    Esta não será a derradeira solução para todos os problemas, mas é algo que cada um pode fazer, e eu tenho a certeza, A CERTEZA, que poucos tem de facto tentado procurar activamente o artigo produzido cá.

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  8. Em adenda, eis o que pensa o comum dos portugueses, como eu, quando se depara com os produtos que vai comprar "a minha compra não vai fazer a diferença para o todo, mas fará a diferença para mim".

    Estou convencido que uma mudança de atitude radical faria uma grande diferença ao fim de meia dúzia de anos, mas isso é algo que ficara no campo da mera teoria.

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  9. E estás muito bem convencido. De facto, acho até que estamos todos convencidos disso. Agora experimenta ir às compras, de qualquer coisa, e vê quantos quilómetros tens que andar, pra conseguir o que for, de marca nacional e a preços acessíveis.
    Se consumimos mais do que precisamos? Definitivamente. De tudo, a mais.Essa é outra mudança a que nos vamos sujeitar, e não há cá veremos, vai ser mesmo assim. Porque de alguma forma haveremos eventualmente de concluir, que se estamos onde e como estamos, aos nossos exageros o devemos..

    Não te tiro a razão, portanto. De todo. Mas de certeza que hás-de encontrar alguma razão nos meus argumentos.

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  10. Claro que sim, que tens muita razão, como de costume, onde podemos discordar, ambos com razão.

    No que concordamos certamente é na ideia de que assim não chegamos lá.

    Em jeito de conclusão, e dando substancia ao meu nick, aqui há uns tempos passou uma noticia de que tinha sido apreendida uma plantação de cannabis, numa zona do pais com excelentes condições para o seu cultivo.
    Que raio, não será esse um nicho do mercado em que o país devia apostar, quando a discussão sobre a legalização do consumo dessa substancia ganha cada vez mais notoriedade nas culturas ocidentais?
    Pensa nisto, e numa sociedade... Quem sabe daqui a uns anos teremos uma quinta de produção de erva em pleno Douro vinhateiro.

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  11. Ó Junkie,não vês que estamos fodidos com estes tipos?
    Primeiro,como a Isa diz, a produção nacional é cocó. Não chega para o consumo interno. Até alhos, caralho, importamos e da China!
    O empreendedorismo é um palavrão muito jeitoso mas tem pouca ligação à nossa realidade, por isto e por aquilo e patati-patatá, já toda a gente sabe.
    Quando estivermos quase todos(uns pouquinhos continuarão a viajar 3 ou 4 vezes por ano, em férias, para o estrangeiro, a comprar grandes máquinas e a beber champanhe francês como nós bebemos sumo de laranja) a comer batatas com sal-viste o filme "O cavalo de Turim"?-sem emprego, com escolas e sistema de saúde na merda, as empresas que restarem ficam sem mercado interno e viram-se para a exportação e a pagar ordenados à chinês e é para quem quer.

    É este o plano.
    Não me perguntes como se pode evitar isto que eu não sei.Nem sou que tenho de saber.

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  12. Pois é Margarida Maria, a produção nacional é cócó, o importado é melhor e mais barato, e portanto, nós como consumidores refinados que somos, só queremos a melhor relação preço/qualidade, é um direito que nos assiste como povo moderno que somos.
    Até aqui tudo perfeito, e só lhe falta a cereja no topo do bolo, ou seja, em vez de manifes, vamos é todos a Fátima rezar, porque assim só mesmo por milagre a coisa endireita.
    Temos que ter industria, temos que ter agricultura, temos que ter pescas, mas se não houver clientes, de que serve tudo isso? E quem mais senão nós poderá ter interesse em comprar produto português? Nos dias que correm, não fazem sentido as barreiras alfandegárias, temos que ser nós, os consumidores, a erigir barreiras que protejam a nossa massa produtiva, barreiras sustentadas no querer.
    Claro que teríamos que esperar que com esse novo fôlego para as áreas produtivas, elas se revitalizassem e se tornassem verdadeiramente competitivas, em vez do que aconteceu com o fôlego dado pelo financiamento que tivemos da união europeia, que bem espremido se resumiu a uns milhares de topos de gama, de carros, barcos, vivendas, e por aí fora....

    Mas qual é a alternativa? Rezar?

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  13. Vamos imaginar que estamos todos imbuídos desse espírito, que acreditamos veementemente que comprar só produto nacional é bom para o país, que dessa forma vamos desenvolver a economia. Tudo bem. Só que de repente pensamos: "Mas com que raio vou eu pagar os produtos?"
    Junkie, as pessoas têm cada vez menos dinheiro e a questão que se põe já não é comprar nacional ou importado, a questão agora é como comprar.

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    1. Com o corpinho querida, mas só de fores uma gaja boa.

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    2. Deve ser essa a forma como tu enfrentas a crise...no parque Eduardo VII.

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    3. Agora percebi, é de lá que eu a conheço

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    4. Não, Anónimo, não me conheces.

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  14. As pessoas têm cada vez menos dinheiro, não só por causa dos impostos, mas também por causa do desemprego, e parece-me fácil de entender a relação entre o desemprego e a falta de mercado para os produtos nacionais. E mais uma vez, quem terá algum interesse especial em comprar produtos produzidos em Portugal? Só nós!

    Parece-me obvio que por cada item importado que compramos, há mais um produzido em Portugal que fica nas prateleiras e não precisa ser reposto. Podemos pensar que um item não faz a diferença, mas esse é o mesmo raciocínio de quem pensa que o seu voto não fará a diferença, e fica em casa a ver tv.

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    1. Então Junkie, quando regressas aos mercados?
      Não me digas que só em 2014?

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